O Supremo Tribunal Federal (STF), por 6 votos a 3, arquivou no passado dia 10, a reclamação em que os advogados do Estado pediam o fim da proibição ao jornal de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Com isso, fica mantida a censura imposta no fim de julho pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJ-DF). A mordaça ao Estado já soma 140 dias.
Ao discorrer sobre o tema, Migalhas poderou com acerto que: “Voar de avião é perigoso, mas ninguém ainda teve a luminosa idéia de proibir o embarque. Construir metrô, no caso o paulistano, pode ser arriscado, mas ninguém fala em não investir nesse tipo de transporte. Andar de carro na virada do ano, diante do número de acidentes, é uma temeridade, mas ninguém fala em tolher o direito de ir e vir das pessoas. Informar e publicar matérias pode causar dano à honra de pessoas probas, e por conta disso alguns ministros acham normal que os magistrados possam coibir a liberdade de expressão. Como se vê, nos casos anteriores o bem tutelado era a vida, e mesmo assim não se fala em proteção prévia ao risco. No caso da imprensa, o bem tutelado é a honra, e a cautela judicial é permitida… Não será uma inversão de valores? A propósito, será que em todos os casos de censura prévia é a honra que se está querendo proteger?”